Bioeconomia da Amazônia não dá voto!

Debochada no debate eleitoral, a Amazônia foi pauta recente de duas manchetes globais sobre a magnitude do acervo biótico e as oportunidades monumentais de seus bionegócios. Uma das notícias anota o desinteresse político na discussão nacional e o outro, da BBC Brasil, surpreende a comunidade científica ao destacar que o tesouro da biodiversidade é muito mais extenso e valioso do que todos supunham. Bingo! Ainda ficamos choramingando a esperteza – ou pertinácia de quem tem visão de negócios? –  dos ingleses pelo sequestro das sementes da seringueira no final do Século XIX – a lendária árvore da fortuna, a hevea brasilienses. Eles se deram bem e nós, constrangidos.

Foram os ingleses que promoveram essa pesquisa publicada pela BBC. Eles são autoridades em dissecar plantas ou seres do reino animal para fazer negócios. E nem precisaram atravessar o Oceano Atlântico para desembarcar na floresta. Eles têm um mostruário de 200 mil espécies em Kew Gardens, o fantástico Museu Botânico da Família Real, nos arredores de Londres. A borracha é apenas um retrato a mais na parede da prosperidade que eles desenvolveram a partir dos princípios ativos levados por Spruce, Alfred Russel e William Bates, para citar os viajantes ingleses na Amazônia desde o Século XVIII.

E qual dos candidatos vai pautar a floresta em suas prioridades, além de Marina Silva a quem falta a percepção de que padecemos de uma finalidade econômica para proteger o acervo ambiental?  As árvores da Hileia não são as vacas da Índia que não podem ser tocadas. Seguimos na dependência crônica do jogo político, vinculado miseravelmente ao critério eleitoreiro, por isso o Comitê de Busca, do Ministério da Ciência e Tecnologia, montado para escolher o novo diretor do INPA, não conseguiu alcançar resultados. Certamente virá, não alguém envolvido com os desafios da Comunidade científica/empresarial, mas o enviado alinhado com quem o apadrinhou.

Os cientistas do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia se debatem com problemas hilários – como não dispor de armários climatizados para conservar os tecidos preciosos de vegetais que podem oferecer mais pistas de soluções medicinais, cosméticas e alimentares de suas investigações. E o que é mais grave. Não conseguem flexibilidade do órgão ambiental federal para se associar aos colegas da Indústria e comércio para transformar pesquisa em inovação e daí desembarcar no mercado. Uma das matérias lamenta que “… em um ano, a Amazônia perdeu 859 árvores por minuto”, como se este fosse o problema. Com inovação e ousadia tecnológica este poderia ser, com certeza, um nicho de negócios dos sonhos do mercado e de proteção do clima. Basta manejar o acervo florestal com inteligência.

Gestão da Amazônia é o gargalo, o desafio e a saída para tantos imbróglios sem sentido que nos constrangem. Na próxima semana, Manaus será palco de um evento internacional I AMAS – Conferencia de Gestão da Amazônia, promovido pela UEA/USP, as universidades estatuais do Amazonas e São Paulo, que vai debater a necessidade e o mapeamento de lideranças, a identificação de estratégias e o monitoramento das métricas de uma gestão participativa, coerente e producente de soluções harmoniosas entre meio ambiente, sustentabilidade e mercado.

Um dos conferencistas mais importantes é Niro Higuchi, a maior autoridade global em manejo florestal sustentável-MFS, na perspectiva da dinâmica do carbono na Amazônia, o Cadaf, um projeto liderado pelo INPA e Universidade de Tokyo, com apoio do governo japonês, dezenas de instituições internacionais, para gerenciar o funcionamento da fotossíntese e o incremento dos serviços ambientais associados ao MFS, entre outras descobertas estratégicas. Além da pesquisa, da vontade política e da movimentação Interinstitucional, a Amazônia espera que o Brasil reconheça as saídas para o Brasil a partir de sua floresta.

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