Após cortes do governo, CRM diz que situação da saúde no Amazonas é preocupante

Hospital Santa Luzia

(Atendimento de urgência e emergência foi prejudicado com os cortes nos valores dos contratos com empresas e cooperativas médicas (Foto: Divulgação)

Por Karina Palmeira, especial para o AMAZONAS ATUAL

MANAUS –  O presidente do CRM (Conselho Regional de Medicina no Amazonas), médico José Bernardes, disse  estar preocupado com a situação da saúde no Amazonas, porque em um mês depois do corte nos valores dos contratos com empresas terceirizadas e cooperativas médicas, pessoas deixaram de ser atendidas e funcionários como médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem foram demitidos. “Não se faz saúde sem investimento, a situação preocupa, porque se em pouco tempo está desse jeito, imagina daqui a alguns meses”, disse.

De acordo com Bernardes, há mais de 400 pessoas na fila para fazer cirurgia no joelho no Hospital Adriano Jorge, sem expectativa de realizar o procedimento. “Teve cirurgia que foi cancelada por falta de médico ou equipamento. A fila só vai aumentar, e o procedimento não será realizado tão cedo, porque não há recursos”, disse.

Outro problema citado pelo presidente do CRM foi a falta de equipamentos no Hospital João Lúcio. “Alguns equipamentos precisam ser trocados porque já estão velhos e daqui a um tempo não poderão mais ser utilizados. Quem sai perdendo com tudo isso é a população, que em caso de emergência não terá atendimento”, relatou.

José Bernardes informou que há pessoas adultas sendo atendidas na pediatria, por falta de condições de atendimento da demanda nos hospitais. “Outro dia, no Hospital João Lúcio, um homem teve que fazer um raio-x na pediatria porque o equipamento da ala que atende adultos estava quebrado. Com saúde e educação não dá para brincar”, afirmou.

Para Bernardes, o Amazonas precisa de investimento para construção de mais hospitais. “O governo deve aumentar o número de hospitais, porque os nossos vivem lotados. Há macas nos corredores e os pacientes passam por situações constrangedoras”, disse.

Outro lado

O Simeam (Sindicato dos Médicos do Amazonas) não quis comentar o quadro da saúde apresentado pelo presidente do CRM, mas informou que tentou fazer uma federação com as empresas terceirizadas para tentar impedir o corte nos valores dos contratos e a redução dos serviços prestados, mas as empresas e cooperativas se recusaram e aceitaram a decisão do governo.

Sobre as demissões citadas pelo CRM, a Susam (Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas) explicou em nota que os funcionários das empresas terceirizadas não possuem vínculo empregatício com a secretaria, e que, por conta disso, não tem como informar sobre processos de demissões que ocorram no âmbito de prestadoras de serviço.

A Susam reitera que os “ajustes” realizados em função da crise econômica pela qual passa o país foram de readequação, de forma a não causar qualquer prejuízo aos usuários dos serviços de saúde.

Decisão do governador 

O governador do Estado, José Melo (Pros), anunciou em junho o corte de 10% dos recursos destinados às empresas e cooperativas de saúde que atendem, principalmente, os serviços de urgência e emergência nos hospitais e prontos-­socorros adulto e infantil do Estado. A informação registrada em documentos ao qual o AMAZONAS ATUAL teve acesso foi confirmada pela Susam.

A medida, segundo os cooperados, resultaria na redução do número de médicos especialistas que trabalham nessas unidades, além de gerar uma diminuição do tempo de permanência deles nos hospitais. Dada a gravidade do efeito do corte e os riscos que a medida poderia causar aos pacientes, os representantes das cooperativas tentaram reverter a determinação do governador, mas depois recuaram e aceitaram a proposta.

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