Aécio acusa governo de ter atuado para incluir oposição na lista da Lava Jato

O senador Aécio Neves disse ter sentido

O senador Aécio Neves disse ter recebido como uma homenagem o arquivamento do do caso envolvendo o nome dele (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)

BRASÍLIA – O presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), acusou nesta quarta-feira, 4, o governo de ter atuado para incluir a oposição na lista dos políticos acusados de envolvimento no esquema de corrupção da Petrobras. O nome do senador foi citado pelo delator da Operação Lava Jato, Alberto Youssef, mas o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, considerou que não havia indícios para abertura de inquérito e sugeriu ao Supremo Tribunal Federal (STF) o arquivamento do caso envolvendo o tucano.

“Recebo como uma homenagem o arquivamento. Foram infrutíferas as tentativas de setores do governo de envolver a oposição na investigação”, disse. Questionado sobre quem do governo teria atuado junto aos investigadores para prejudicá-lo, o senador não respondeu.

Aécio afirmou que não sabe de nada a respeito das citações ao seu nome no processo da Lava Jato e disse não ter interesse em se informar. O senador disse ainda que não foi comunicado pelo procurador Rodrigo Janot de que seu nome havia sido mencionado.

Propina em Furnas

Em depoimento ao Ministério Público ao qual a reportagem teve acesso, o doleiro Alberto Youssef, um dos principais delatores da Operação Lava Jato, afirmou “ter conhecimento” de que o senador Aécio Neves, na época em que era deputado federal, estaria recebendo recursos desviados de Furnas “através de sua irmã”.

A Procuradoria entendeu que as informações reunidas sobre o presidente do PSDB não são suficientes para que ele seja investigado, por isso sugeriu ao ministro Teori Zavascki o arquivamento da denúncia.

O termo de colaboração número 20, que registra confissão do doleiro no fim do ano passado, tem como “tema principal: Furnas e o recebimento de propina pelo Partido Progressista e pelo PSDB”. Além de Aécio, também são citados o ex-deputado José Janene (PP, morto em 2009) e o executivo Airton Daré, sócio da empresa Bauruense, que foi prestadora de serviços para Furnas.

O doleiro disse que recolheu dinheiro de propina na empresa Bauruense cerca de dez vezes. Em uma delas, o repasse não foi feito integralmente e faltavam R$ 4 milhões. Youssef afirmou aos investigadores ter sido informado de que “alguém do PSDB” já havia coletado a quantia pendente.

Indagado pelos procuradores, Youssef declarou não ter conhecimento de qual parlamentar havia retirado a comissão, mas afirmou que o então deputado federal Aécio Neves teria influência sobre a diretoria de Furnas e estaria recebendo o recurso “através de sua irmã”, segundo o texto literal da delação, sem especificar a qual das duas irmãs do senador ele se referia.

O delator disse ainda “não saber como teria sido implementado o ‘comissionamento’ de Aécio Neves”. Na delação, o doleiro descreve que de 1994 a 2001 o PSDB era responsável pela diretoria de Furnas.

Youssef declarou ainda que recebia o dinheiro de José Janene (PP) nas cidades paulistas de Bauru e de São Paulo e enviava o valor para Londrina ou Brasília.

Segundo o doleiro, os diretores da Bauruense poderiam fornecer mais informações sobre a diretoria de Furnas e declarou ao MPF ter conhecimento de que há um inquérito sobre a empresa de Bauru no Supremo Tribunal Federal.

Aécio disse hoje que não tinha conhecimento sobre o teor da acusação contra ele e que o arquivamento é “uma homenagem” da PGR.

(Estadão Conteúdo/ATUAL)

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