Advogados fazem desagravo a favor de advogada e investigador alega desacato

Advogados promoveram desagravo público contra agressão à advogada (Foto: OAB-AM/Divulgação)

Advogados promoveram desagravo público contra agressão à advogada (Foto: OAB-AM/Divulgação)

Da Redação

MANAUS – Um grupo de advogados protestou contra agressão à advogada Jéssika Thays do Nascimento Martins, ocorrida na Delegacia Interativa de Tefé (a 52 quilômetros de Manaus), no dia 19 de maio. Jéssica denunciou o investigador da Polícia Civil Norton Carvalho de Barcelos por lesão corporal. O desagravo público ocorreu na manhã desta segunda-feira, 18, em frente à Delegacia-Geral, na zona sul de Manaus.

O presidente da OAB-AM (Ordem dos Advogados do Brasil – Secção do Amazonas), Marco Aurélio Choy, a manifestação é um instrumento de defesa dos direitos e das prerrogativas da advocacia, efetivado quando um advogado é ofendido no exercício da profissão ou em razão dela.

Choy disse o protesto é apenas contra o investigador Norton Carvalho e não à instituição da Polícia Civil do Amazonas. “A OAB-AM reafirma o compromisso com a advocacia amazonense que nesta gestão fortaleceu todo o seu Sistema de Prerrogativas e repudia veementemente, qualquer ato que atente contra o exercício do direito profissional da classe combatendo a prática de atos ilegais e abusos de autoridades que violam a liberdade da prática da advocacia, e se mantém firme no sentido de coibi-las”, disse Choy.

Desacato

O investigador Norton Carvalho alegou que a advogada cometeu desacato. Segundo ele, ela afirmou na delegacia do interior que iria transferir seu cliente, que se autodeclarava do ‘Cartel de Medelín’, na Colômbia”, vivo ou morto.

Conforme Norton Carvalho, um policial que participava da operação informou que estaria com dificuldade de apresentar o preso porque a advogada estaria atrapalhando o processo. “O colega voltou novamente, disse que não tínhamos apresentado o preso e que a advogada teria tirado a cadeira do guarda municipal e deu para o traficante sentar. Eu falei que não acreditava e me dirigi até a sala. Perguntei se tudo estaria dentro dos conformes, se o preso já tinha sido apresentado. A advogada já não estava lá. Foi quando começamos a revista íntima no preso e advogada entrou na sala”, disse o investigador.

Norton Carvalho disse que comunicou a advogada que ali seria uma área restrita, que ainda estariam em diligência e a revista pessoal fazia parte do processo. “Foi quando ela começou a apontar o dedo para nós. O que acontece que alguém divulgou um vídeo editado que aparece apenas eu conduzindo a advogada para uma área de livre circulação”, afirmou o investigador.

De acordo com Norton Carvalho, no dia da ocorrência envolvendo a advogada ocorria uma operação contra o tráfico de drogas e cumprimento de 21 mandados de prisão e 21 de busca e apreensão para vários municípios do Estado do Amazonas, 11 somente em Tefé.

“Tefé fica no meio na fronteira da Colômbia e Manaus, sendo um berço para tráfico de drogas. O Denarc (Departamento Estadual de Prevenção e Repressão ao Narcotráfico) informou que teríamos que deflagrar a operação com urgências, informando que havia mandado de prisão para policiais e que não poderíamos contar com ajuda dos polícias de Tefé”, disse o investigador. Um dos alvos é um homem conhecido por ‘Keke’ e possível cliente da advogada. Na casa do suspeito, segundo o investigador, foi encontrado um quilo de cocaína, quase R$ 7 mil e carro modelo Saveiro.

“Quando chegamos na delegacia de polícia, a advogada Jéssica já se encontrava lá, onde apresentamos o preso. Eu expliquei que se tratava de uma mandado de prisão e busca e apreensão, com flagrante de um quilo de cocaína”, disse o investigador.

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