A blitz

Ao tentar sair do trânsito caótico de Manaus, que nos deixa mal humorado fico contando horas e minutos para que chegue o final de cada semana.

As razões são óbvias, e essa obviedade é descansar, porque ninguém é de ferro.

Encho o tanque do ” pé-de-borracha,” e zarpo rumo ao interior de Itacoatiara, especificamente Novo Remanso, vila situado a 220 quilômetros de Manaus.

Sempre gosto de acordar cedinho, e quando o alarme do celular não me desperta, o meu relógio biológico o faz: é infalível: às 4 da matina tou de pé, arrumo as minhas tralhas, dou a última revisada no “vermelhinho” e “estrada para que te quero”.

Como diria a minha mãe, porém, nem tudo é flor no canteiro do Castor, e lá vou eu, nós, ( eu e a Suzan), e pra surpresa minha, antes da barreira policial, enfrento uma blitz “daquelas”, onde o chefe Leonel, pra mostrar serviço é o primeiro a se sobressair no cumprimento do dever, junto com os seus comandados .

Antevendo que seria um dos que iria passar pela operação pente-fino, diminuo a velocidade. Um policial sinaliza pra encostar o carro na lateral da rodovia, a fim de fazer a abordagem habitual.

— A sua habilitação, sem, sequer me dar bom dia, me aborda o guarda suarento e catingoso.
— Pronto, disse-lhe mostrando-a mais que depressa.
— Desça do carro que vou dar uma varredura, arrotou o “polícia” num tom intimidativo.
— Pois não, rapidamente atendi ao rogo petulante do guarda.
— Abra o porta-malas.
— É pra já, completei.
— O seu extintor estar em dia? Respondi, já meio puto:
— olhe, o senhor não estar inspecionando o carro? …

Ele me fitou dos pés a cabeça, como quem diz: que “carinha” metido.
E tava mesmo, pois o carro estava plenamente regularizado, mas me contive.
Pensava que o “tira” já tivesse concluído a operação, ele inda vem com essa:

— Ah, esqueci de verificar a parte de trás do veículo, arremata.

Nessa altura do campeonato fiquei apenas como expectante.

Quando ele abriu a porta lateral, em cima do banco traseiro se deparou com 3 caixas de cervejas em lata e alguns refrigerantes, prontamente disparou:

— O senhor ingeriu alguma bebida alcoólica?
— Por quê?
— Quer dizer, se eu saísse de um bar é por que estava bebendo?
— O senhor tem que fazer o teste de bafômetro.

Cá com meus botões, pensei: será que esse policial tá pensando que eu tenha tomado algumas cervejas, apenas por que eu as conduzia no interior do veículo? Mesmo assim me submeti ao teste, e pra surpresa do guarda, deu negativo.
Senti a essa altura que o tal policial queria forjar um “álibi “para me incriminar, mas não foi feliz no intento; mesmo assim não desistiu e partiu pra nova empreitada, ao interpelar-me se usava arma e num tom arrogante, disparou:

— O senhor tem arma?
— De que, de fogo, retruquei?
— Tenho, respondi.
— Então, me entregue.

Fitei-o dos pés a cabeça e sapequei:

— Ah, me desculpe, não sabia que era pra trazer, “seo” guarda, deixei-a em casa.

Ele me encarou com um olhar furioso, pensou que estivesse gozando da cara dele. Não foi bem assim, mas quase isso.
Depois de todo esse “cerca-lourenço, talvez o policial tivesse tentado criar dificuldades para gerar facilidades, deixou-me seguir a viagem em paz, porque não foi dessa vez que tentou arranjar o jabaculê, a fim de satisfazer a sua saciedade: extorquir motoristas incautos que trafegam nos finais de semana, tendo o interior como válvula de escape para se livrar do calor “mormacento’ de Manaus.

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